Saúde Mental e Dependência Química — Guia Pilar 2025
História real, nomes trocados — “Quando a casa percebeu”
J. começou com “só final de semana”. Em meses, as faltas no trabalho e as brigas aumentaram. A mãe notou dentes rangendo, pupilas dilatadas, ímpetos de sair de madrugada e “sumir”. O irmão encontrou “pinos” na mochila. Eles não sabiam por onde começar. Você pode estar aqui hoje por algo parecido.
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Panorama 2023–2025 (OMS/OPAS): saúde mental e o impacto do uso de substâncias
Transtornos mentais e por uso de substâncias caminham juntos em grande parte dos casos. O objetivo deste guia é orientar decisões: reconhecer sinais, acionar a rede certa no tempo certo e montar um PTI que funcione na vida real.
Sinais de alerta: quando agir (mental + químico)
Comportamentais
- Isolamento, irritabilidade, sumiços e mentiras frequentes.
- Perda de interesse, queda de desempenho, faltas no trabalho/estudo.
- Vendas de objetos, dívidas súbitas, trocas de amizade.
Físicos/Visuais
- Pupilas muito dilatadas/contraídas, olhos vermelhos.
- Perda/ganho de peso, feridas na pele, queimaduras nos lábios/dedos.
- Odor químico/álcool, tremores, taquicardia, suor frio.
Psíquicos
- Ansiedade, depressão, paranoia, alucinações.
- Impulsividade, agressividade/apatia, ideação suicida.
- Craving (fissura), tolerância e abstinência.
Emergência? Risco imediato → 192/190. Sem risco iminente, triagem no WhatsApp.
Transtornos mentais mais comuns (resumo prático)
Ansiedade, depressão, pânico, TOC, borderline, bipolaridade e esquizofrenia exigem plano contínuo. Veja a página de pronto-socorro psiquiátrico e o fluxo de linha de cuidado.
Como reconhecer “o padrão” antes da crise
Na história de J., as noites viravam dias, as desculpas ficaram repetidas e a família começou a “cobrir rombo”. Quando o padrão aparece, é hora de formalizar limites e oferecer caminhos objetivos.
Assista com quem cuida e combine próximos passos por escrito.
Dependência Química: o que é, como evolui e por que pede plano
Dependência química é um transtorno crônico, recorrente e tratável, marcado por compulsão, perda de controle e continuidade do uso apesar de prejuízos. Envolve fatores biológicos, psicológicos, sociais e espirituais. O tratamento eficaz integra desintoxicação, psicoterapia, família, medicação quando indicada e pós-alta ativo.
Fases típicas
- Início recreativo → uso regular → tolerância → perda de controle.
- Escalada de dano: saúde, trabalho, finanças e vínculos.
Chaves de virada
- Intervenção familiar com limites e propostas concretas.
- PTI com metas semanais e prevenção de recaídas.
Substâncias: efeitos clínicos, visuais e colaterais (do mais frequente ao emergente)
Álcool
Efeitos agudos: euforia, desinibição, fala arrastada, ataxia. Visuais: hálito alcoólico, rubor facial, olhos avermelhados. Colaterais: gastrite, hepatite alcoólica, violência/trauma. Abstinência: tremores, ansiedade, taquicardia; casos graves: delirium tremens (emergência).
Maconha e sintéticos (K9/sintetizadores de canabinoides)
Efeitos: relaxamento, alteração de percepção; nos sintéticos (K9) há risco elevado de taquiarritmias, agitação extrema, psicose, convulsões. Visuais: olhos hiperemiados, risos imotivados ou pânico, lentificação ou hiperexcitação. Colaterais: impacto em memória/atenção; nos sintéticos: internações por toxicidade.
Cocaína
Efeitos: euforia, hiperalerta, loquacidade, hipertensão, taquicardia. Visuais: pupilas dilatadas, ranger de dentes, farejamento, sangramento nasal. Colaterais: paranoia, agressividade, dor torácica, arritmias; risco de AVC/infarto mesmo em jovens.
Crack
Efeitos: euforia intensa e breve → crash (depressão/irritabilidade). Visuais: queimaduras em lábios/dedos, perda de peso acelerada, pele ressecada. Colaterais: infecções respiratórias, cardiopatias, psicose, alto risco de violência ambiental.
Anfetaminas e similares
Efeitos: energia, insônia, hiperfoco, bruxismo. Visuais: pupilas dilatadas, sudorese, movimentos repetitivos. Colaterais: arritmias, hipertensão, hipertermia, psicose anfetamínica.
Benzodiazepínicos (uso abusivo)
Efeitos: sedação, amnésia, fala arrastada. Visuais: sonolência diurna, quedas, hematomas. Colaterais: tolerância, dependência; abstinência pode ser grave (convulsões) — nunca suspenda abruptamente sem médico.
Opioides (analgésicos, ilícitos)
Efeitos: analgesia, euforia, miose (pupila ponta de alfinete), depressão respiratória. Visuais: sonolência, coceira, marcas de injeção. Colaterais: overdose com apneia; constipação severa; alto risco de dependência.
Inalantes (lança-perfume, colas, solventes)
Efeitos: euforia rápida, tontura, desinibição. Visuais: odor químico intenso, manchas de substância, irritação nasal/oral. Colaterais: arritmias fatais, lesão neurológica, queimaduras químicas.
Alucinógenos (LSD, cogumelos, cetamina em contexto recreativo)
Efeitos: alterações perceptivas, sinestesia, distorção temporal. Visuais: olhar “perdido”, risos/choro sem motivo aparente. Colaterais: bad trip, pânico, despersonalização; em vulneráveis, pode precipitar psicose.
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Quando a família vira “time” (sem virar inimiga)
Na casa de J., o combinado foi por escrito: horários, dinheiro, regras, teste aleatório e uma consulta marcada. Ele topou por 30 dias “para ver”. O que mudou? Clareza e consequências proporcionais com porta aberta para tratamento.
Overdose e abstinência: sinais críticos e o que fazer
Overdose (alertas)
- Opioides: respiração lenta/ausente, pele fria, pupilas contraídas — posição lateral, 192 imediatamente.
- Estimulantes: dor torácica, arritmia, hipertermia, convulsões — resfriar, 192.
- Mistos/sintéticos (K9): agitação extrema, psicose, convulsões — segurança do ambiente e 192.
Abstinência (cuidados)
- Álcool/BZD: risco de convulsão/delirium — não interromper abrupto; avaliação médica e desmame.
- Opioides: intensa, porém raramente letal — manejo de sintomas, hidratação, PTI.
- Estimulantes/cocaína/crack: depressão, fadiga, crash — proteção de risco e suporte clínico.
Crise ativa? Busque segurança, não confronte. Acione 192/190. Para plano no dia seguinte, fale no WhatsApp.
Linha de cuidado: SUS/RAPS, hospital e reabilitação
Integramos CAPS/CAPS AD, ambulatórios, hospital e reabilitação quando indicado, mantendo o mesmo PTI ao longo das transições.
Ambulatório
Triagem, psicoterapia (TCC/DBT/EPR/EMDR), prescrição e monitoramento.
Hospital
Fase aguda: risco, intoxicação, surtos. Estabilizar e planejar continuidade.
Reabilitação
Rotina terapêutica, prevenção de recaídas, família e projeto de vida.
Internação: voluntária, involuntária e compulsória
- Voluntária: com consentimento.
- Involuntária: por familiar/responsável com indicação médica e comunicação ao MP (Lei 10.216/2001).
- Compulsória: por ordem judicial baseada em laudos técnicos.
Auxiliamos a família com documentação, laudos e logística de remoção 24h.
PTI: Plano Terapêutico Individual que funciona
Componentes
- Avaliação multiprofissional (médica, psicológica, social).
- Metas semanais, rotina e indicadores simples.
- Terapias com evidência: TCC, DBT, EPR (TOC), EMDR, prevenção de recaídas.
- Família: limites, comunicação, codependência.
- Projeto de vida: estudo, trabalho, finanças, lazer.
Tempos típicos
- Desintoxicação: 3–21 dias.
- Reabilitação residencial: 90–180 dias.
- Pós-alta: 6–12 meses de manutenção ativa.
Prazos médios; personalizamos por caso.
Do “modo sobrevivência” ao projeto de vida
Com 4 meses de PTI, J. dormia melhor, voltou ao trabalho e retomou a relação com a família. Recaídas foram tratadas como informação — não como fracasso.
Guia prático para a família (faça/evite)
Faça
- Converse cedo, sem humilhar; traga dados concretos.
- Defina limites e consequências proporcionais por escrito.
- Ofereça logística (consulta marcada, transporte, documentos).
- Registre crises, gatilhos e progressos.
Evite
- Tapar buracos eternamente (reforça a doença).
- Ameaças vazias e promessas impossíveis.
- Ficar sozinho diante de risco; peça ajuda.
Planos de saúde: como acelerar
| Serviço | Como costuma ser | Dica prática |
|---|---|---|
| Consultas/psicoterapia | Geralmente cobertas conforme rede e regras. | Checar número de sessões e reembolso. |
| Internação hospitalar | Em quadro agudo com indicação. | Relatório clínico objetivo acelera. |
| Reabilitação residencial | Varia; pode exigir negociação. | Documentação estruturada ajuda muito. |
Onde buscar — SP, MG, GO e DF
SP: rede GSV (Itapecerica, São Roque, Ibiúna, Embu-Guaçu, Campinas, Guarulhos, Sorocaba, SBC). MG: unidades integradas. GO: Goiânia e região. DF: integração com rede local.
Vídeos — Storytelling em 4 atos (do sinal à virada)
1) Sinal
2) Entendimento
3) Alinhamento
4) Consolidação
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Digital Saúde Mental — rede de clínicas online (em breve)
Estamos lançando o Digital Saúde Mental: uma rede de clínicas online do Grupo Salvar Vidas. Triagem digital, terapia por vídeo, grupos psicoeducativos, mentoria clínica e integração com remoções 24h quando necessário. Será um ecossistema para acelerar acesso e continuidade do cuidado — do celular à reabilitação.
Gostou da ideia? Deixe seu contato no WhatsApp e seja avisado na primeira fase: quero ser avisado.
Pós-alta, recaídas e reinserção
- Follow-up com consultas e grupos.
- Plano de segurança (pessoas, lugares, estratégias).
- Rede de apoio (família/comunidade/espiritualidade).
- Saúde física (sono, alimentação, exercício) puxa a mental.
- Monitoramento e indicadores simples (check-ins, testes).
Prevenção e primeira ajuda
Para quem usa
- Rotina mínima (sono, refeições, sol, movimento).
- Reduza gatilhos (álcool, telas de madrugada, dívidas).
- Peça avaliação se os sinais persistirem > 2 semanas.
Para quem cuida
- Valide a dor; convide sem ameaças vazias.
- Ofereça caminhos reais (consulta, CAPS, GSV).
- Risco? Não fique sozinho; acione 192/190.
Mitos e verdades
- Mito: “Quem quer para quando quiser.” Verdade: é doença; vontade ajuda, mas precisa de plano e suporte.
- Mito: “Internação é fracasso.” Verdade: é ferramenta de segurança e estabilização.
- Mito: “Remédio vicia sempre.” Verdade: medicação correta e monitorada salva vidas.
- Mito: “Depois de um tombo, acabou.” Verdade: recaída é dado para ajuste do PTI.
Glossário
- RAPS: Rede de Atenção Psicossocial.
- CAPS/CAPS AD: Centros de Atenção Psicossocial (geral/álcool e drogas).
- PTI: Plano Terapêutico Individual.
- Craving: fissura/urgência de uso.
- DBT/TCC/EPR/EMDR: terapias com evidência.
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Sigilo absoluto. Em risco iminente, 192/190.

