Crises Psicóticas: sintomas, causas e quando buscar ajuda

Pessoa em surto psicótico com expressão de confusão e medo
Crise de pânico, ansiedade e transtornos mentais — sintomas, causas e tratamento especializado em saúde mental | Grupo Salvar Vidas
Saúde mental em linguagem simples e responsável

Crise de pânico, ansiedade e transtornos mentais — sintomas, causas e tratamento especializado em saúde mental

Ter uma crise de pânico ou viver com ansiedade intensa, depressão, bipolaridade, esquizofrenia ou outros transtornos mentais não é sinal de fraqueza, falta de fé ou “frescura”. É sinal de sofrimento real, que envolve cérebro, emoções, história de vida, contexto social e muitas vezes também o corpo.

Muitas pessoas descrevem o ataque de pânico como se estivessem tendo um infarto: taquicardia, falta de ar, sensação de desmaio, formigamentos, medo intenso de morrer ou enlouquecer de repente. Outras vivem com um transtorno de ansiedade generalizada (TAG), ansiedade social, depressão profunda, transtorno bipolar, TOC, TEPT e outros quadros que vão roubando a energia, o sono, o prazer e a vontade de viver.

Este conteúdo foi preparado para ajudar você a entender melhor o que está sentindo, reconhecer sinais importantes, saber quando é hora de buscar ajuda em saúde mental e perceber que não está sozinho nessa jornada. Aqui falamos de forma direta, acolhedora e responsável, sempre lembrando que nenhum texto substitui uma avaliação com psiquiatra ou psicólogo.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação presencial ou online com psiquiatra, psicólogo ou outro profissional de saúde mental. Em situações de crise grave, risco imediato de morte ou pensamentos suicidas, procure atendimento de urgência, pronto-socorro ou serviços de emergência da sua região o quanto antes.

Sintomas

O que é crise de pânico e crise de ansiedade? Entendendo o que acontece com o corpo e a mente

Uma crise de pânico é um episódio súbito de medo ou desconforto intensos, acompanhado de diversos sintomas físicos e emocionais. Já a crise de ansiedade pode ser mais prolongada, com um estado de apreensão e tensão constante. Em ambos os casos, a sensação é de que algo muito ruim vai acontecer a qualquer momento.

Sintomas da crise de pânico e do ataque de pânico

O termo ataque de pânico é frequentemente usado para descrever aquele momento em que a pessoa sente que vai morrer ou enlouquecer, mesmo sem uma ameaça real ao redor. O coração dispara, o peito parece apertar, a respiração fica curta, a mente é tomada por pensamentos catastróficos e é comum surgir a ideia de “vou perder o controle”, “vou desmaiar”, “vou passar vergonha”, “vou ter um infarto”.

Alguns sintomas comuns da crise de pânico e do transtorno de pânico incluem:

  • Palpitações e taquicardia — o coração bate forte, rápido ou parece “pulsar na garganta”.
  • Falta de ar ou sensação de sufocamento — mesmo sem esforço físico intenso.
  • Pressão no peito, dor torácica ou aperto — que pode ser confundida com problema cardíaco.
  • Tontura, sensação de desmaio ou instabilidade — como se o chão estivesse “balançando”.
  • Formigamentos e tremores — principalmente em mãos, pés e rosto.
  • Sensação de irrealidade ou despersonalização — parece que tudo ficou distante, estranho, como se a pessoa estivesse “fora do próprio corpo”.
  • Medo intenso de morrer, enlouquecer ou perder o controle — mesmo sem motivo claro.
  • Ondas de calor ou frio, náuseas, suor intenso — o corpo inteiro parece reagir.

Uma crise de pânico pode surgir de forma aparentemente “do nada” (por exemplo, no trânsito, em casa, no mercado), ou em situações específicas (falar em público, entrar em espaços fechados, subir em elevador). Quando essas crises passam a se repetir com frequência e a pessoa vive com medo constante de ter um novo episódio, podemos estar diante de um transtorno de pânico, que exige avaliação especializada.

Diferença entre ansiedade normal e transtornos de ansiedade

Sentir ansiedade é normal. Ela faz parte do sistema de proteção do corpo. É a ansiedade que ajuda você a se preparar para uma prova, uma entrevista de emprego, uma viagem importante, um exame médico. O problema é quando a ansiedade deixa de ser aliada e passa a ser um transtorno de ansiedade.

Falamos em ansiedade patológica quando:

  • Os sintomas são intensos e desproporcionais à situação real.
  • A preocupação é constante, difícil de controlar e se espalha para várias áreas da vida.
  • A pessoa passa a evitar lugares, pessoas ou atividades por medo da ansiedade.
  • Há prejuízo no trabalho, nos estudos, na vida social e nos relacionamentos.
  • O corpo vive tenso, cansado, com dores, problemas de sono e dificuldade de relaxar.

Entre os transtornos de ansiedade mais conhecidos estão o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), a fobia social ou ansiedade social, o transtorno de pânico, as fobias específicas e o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Todos eles têm tratamento em saúde mental, com combinações de psicoterapia, medicação e mudanças no estilo de vida, supervisionadas por profissionais.

Ataque de pânico noturno: quando o medo acorda você no meio da madrugada

Algumas pessoas não têm crise de pânico apenas durante o dia. Elas acordam no meio da madrugada com o coração acelerado, suando, com sensação de sufocamento, medo intenso e, às vezes, sem sequer lembrar do que estavam sonhando. Essa experiência é chamada de ataque de pânico noturno.

O ataque de pânico noturno pode ser ainda mais assustador, porque a pessoa sai de um estado de sono para um alerta máximo em poucos segundos, sem ter clareza do que desencadeou aquilo. Com medo de voltar a ter esse tipo de crise, é comum que ela comece a evitar dormir ou a atrasar ao máximo a hora de deitar, o que piora o cansaço e a vulnerabilidade emocional.

Mais uma vez, é importante ressaltar: isso não significa que você esteja “louco”. Significa que provavelmente existe um quadro de ansiedade ou outro transtorno mental que precisa ser avaliado. Ataques de pânico noturnos merecem atenção e podem melhorar com tratamento especializado em saúde mental.

Transtornos específicos

Depressão, bipolaridade, esquizofrenia e outros transtornos mentais frequentes

Crise de pânico e ansiedade são apenas parte do universo dos transtornos mentais. Muitas pessoas também enfrentam depressão profunda, transtorno depressivo maior, transtorno bipolar, esquizofrenia, psicoses, transtorno de personalidade borderline, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), entre outros quadros. Entender melhor essas condições ajuda a reduzir o estigma e a aumentar a chance de buscar ajuda.

Depressão e depressão profunda

A depressão não é apenas tristeza. É um transtorno depressivo que afeta humor, pensamento, corpo, sono, apetite, energia, autoestima e a forma como a pessoa enxerga a si mesma, os outros e o futuro. Em alguns casos, a depressão pode se tornar uma depressão profunda, também chamada de transtorno depressivo maior, com sintomas intensos e duradouros.

Alguns sinais de depressão incluem:

  • Tristeza constante, sensação de vazio ou falta de sentido.
  • Perda de interesse e prazer em atividades antes agradáveis.
  • Cansaço extremo, sensação de peso no corpo, lentidão.
  • Dificuldade de concentração, memória fraca, decisões simples que parecem enormes.
  • Alterações de sono (insônia ou sono excessivo) e apetite.
  • Sentimentos de culpa, inutilidade, vergonha ou fracasso.
  • Pensamentos recorrentes de que a vida não vale a pena.

A depressão não tem uma única causa. Pode estar relacionada a fatores biológicos (genética, alterações neuroquímicas), psicológicos (história de vida, traumas, estilo de pensamento), sociais (isolamento, violência, luto, desemprego) e também a certas doenças físicas. Somente um psiquiatra pode fechar o diagnóstico correto e diferenciar depressão de outras condições que podem ter sintomas parecidos, como transtornos de ansiedade ou problemas hormonais.

Transtorno bipolar e bipolaridade

O transtorno bipolar é um transtorno de humor caracterizado por episódios de depressão e fases de humor elevado (mania ou hipomania). Não se trata de “mudar de humor o tempo todo” apenas; é algo muito mais sério e complexo do que uma simples “oscilação de humor”.

Na fase depressiva, a pessoa pode apresentar sintomas semelhantes à depressão profunda. Já nas fases de mania ou hipomania, aparecem sinais como:

  • Euforia exagerada, sensação de poder ou grandiosidade.
  • Fala acelerada, pensamento muito rápido, ideias demais ao mesmo tempo.
  • Diminuição importante da necessidade de sono.
  • Comportamentos impulsivos (gastos excessivos, sexualidade de risco, decisões precipitadas).
  • Irritabilidade intensa quando contrariado.

Existem diferentes tipos de transtorno bipolar (como transtorno bipolar tipo I e tipo II), e cada um exige avaliação detalhada. O tratamento envolve, em geral, estabilizadores de humor, psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico contínuo. Diagnosticar bipolaridade apenas observando “mudanças de humor” no dia a dia pode ser muito enganoso. Autodiagnóstico não é recomendado.

Transtornos de ansiedade: TAG, fobias, ansiedade social

Além do transtorno de pânico, existem outros transtornos de ansiedade importantes:

  • Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) — preocupação intensa e constante com diversas áreas da vida, mesmo quando não há motivo concreto para tanto; o corpo vive em alerta, com tensão muscular, problemas de sono e fadiga.
  • Ansiedade social — medo intenso de situações sociais, de ser observado ou julgado, levando à evitação de eventos, reuniões, apresentações e, às vezes, até de encontros com amigos.
  • Fobias específicas — medo exagerado de algo específico (avião, altura, agulhas, animais), que pode desencadear crise de pânico quando a pessoa se aproxima do estímulo fóbico.

Em todos esses casos, tratamento para transtornos de ansiedade pode incluir psicoterapia (como terapias cognitivo-comportamentais), técnicas de manejo da ansiedade, medicações específicas e, em alguns casos, mudanças de rotina guiadas por profissionais.

Saúde mental e dependência química

Relação entre transtornos mentais, crise de pânico e dependência química

Não é raro que transtornos de ansiedade, depressão, bipolaridade e outros transtornos mentais caminhem junto com o uso problemático de álcool e drogas, incluindo lícitas e ilícitas. Essa combinação é chamada de comorbidade e torna o quadro mais complexo, mas também mais importante de ser tratado de forma integrada.

Quando a bebida vira “remédio” para ansiedade e depressão

Muitas pessoas com crise de pânico, ansiedade generalizada ou depressão profunda começam a usar álcool como forma de aliviar os sintomas. Um drink para relaxar depois de um dia pesado, alguns copos para conseguir socializar, uma garrafa para “esquecer” problemas. Com o tempo, o cérebro passa a “aprender” que o álcool é uma forma rápida de anestesiar a dor, e o risco de dependência química aumenta.

O problema é que o álcool pode até aliviar temporariamente a ansiedade, mas a longo prazo:

  • Desorganiza ainda mais o sono e o humor.
  • Piora sintomas de depressão.
  • Aumenta impulsividade e comportamentos de risco.
  • Prejudica o efeito de muitas medicações psiquiátricas.
  • Eleva o risco de crises graves e conflitos familiares.

O mesmo vale para outras substâncias: maconha, cocaína, drogas sintéticas, medicamentos usados sem orientação médica, entre outros. Às vezes, a pessoa não está apenas “usando drogas”; ela está tentando anestesiar um sofrimento psíquico que não foi reconhecido, como um transtorno de pânico, transtorno bipolar, transtorno borderline, TOC ou TEPT.

Quando a dependência química desencadeia transtornos mentais

O caminho contrário também é possível: o uso prolongado e intenso de substâncias pode desencadear ou agravar transtornos mentais. Drogas estimulantes podem precipitar quadros de psicose, alucinações, delírios e surtos. O consumo problemático de álcool está associado a sintomas depressivos, ansiedade, agressividade e alterações cognitivas.

Em muitos casos, é difícil separar o que veio primeiro — se foi a ansiedade, a depressão ou a dependência. O importante é entender que, quando saúde mental e dependência química se misturam, o tratamento isolado de apenas uma parte costuma ser insuficiente. É necessário um olhar integrado, que leve em conta o quadro como um todo.

Causas

Causas e fatores de risco em saúde mental: por que algumas pessoas adoecem mais?

Não existe uma causa única para crise de pânico, transtorno de ansiedade, depressão, bipolaridade, esquizofrenia ou outros transtornos mentais. Geralmente, vários fatores se somam: biológicos, psicológicos, sociais, espirituais e ligados ao estilo de vida. Entender essa complexidade ajuda a diminuir a culpa e a aumentar a responsabilidade compartilhada.

Fatores biológicos e genéticos

Pesquisas em psiquiatria mostram que existe, sim, uma base biológica importante para muitos transtornos mentais. Isso inclui:

  • Genética — algumas pessoas herdam uma maior vulnerabilidade para ansiedade, depressão, bipolaridade, esquizofrenia e outros quadros.
  • Funcionamento cerebral — alterações em sistemas de neurotransmissores, como serotonina, noradrenalina, dopamina, entre outros, podem influenciar humor, ansiedade, sono e motivação.
  • Condições médicas gerais — doenças hormonais, neurológicas, autoimunes e outras podem impactar diretamente a saúde mental.

Isso não significa que alguém esteja “condenado” a ter um transtorno mental por causa da genética. Significa que algumas pessoas podem ter um terreno mais sensível e, diante de certas situações, ter mais chance de desenvolver crise de pânico, ansiedade generalizada, transtorno depressivo maior ou outros quadros.

Fatores psicológicos: traumas, padrões de pensamento, história de vida

A forma como cada pessoa vive, interpreta e registra suas experiências também influencia profundamente sua saúde mental. Alguns elementos importantes:

  • Experiências traumáticas — abuso físico, sexual ou emocional, negligência, abandono, violência urbana, acidentes graves, lutos complicados.
  • Padrões de pensamento — tendência a se culpar por tudo, enxergar apenas o lado negativo, sentir-se constantemente inadequado ou incapaz.
  • História de vinculação — relações marcadas por insegurança, críticas constantes ou falta de apoio afetivo podem afetar a forma como a pessoa lida com emoções.

Não se trata de “culpar os pais” ou a história. Trata-se de reconhecer que ninguém é uma folha em branco. Aquilo que você viveu, ouviu, sofreu e aprendeu molda a forma como você sente ansiedade, medo, tristeza e raiva hoje. A boa notícia é que, com psicoterapia e outras formas de cuidado, esses padrões podem ser compreendidos e transformados.

Fatores sociais e culturais

Vivemos em um mundo que, muitas vezes, adoece. Pressão por produtividade, insegurança econômica, violência, preconceitos, racismo, misoginia, LGBTfobia, desigualdade social, falta de acesso a serviços de saúde: tudo isso pesa sobre a saúde mental de milhões de pessoas.

Alguém que vive sob ameaça constante, sem apoio, sem rede de proteção e sem acesso a tratamento tem mais chance de desenvolver transtornos mentais graves. Por isso, falar de saúde mental não é apenas falar de cérebro; é falar de condições concretas de vida.

Diagnóstico

Como funciona o diagnóstico em psiquiatria e a avaliação em saúde mental

Diagnosticar uma crise de pânico, um transtorno de ansiedade, depressão, bipolaridade, esquizofrenia ou qualquer outro transtorno mental é um processo cuidadoso. Não é baseado em um único exame de sangue, em um teste rápido pela internet ou em um vídeo de rede social. Envolve escuta qualificada, tempo, observação e conhecimento técnico.

Entrevista clínica: ouvir a história completa

O primeiro passo da avaliação em saúde mental é, geralmente, uma entrevista clínica. O psiquiatra ou psicólogo vai perguntar sobre:

  • Quais sintomas você sente hoje (ansiedade, pânico, tristeza, irritabilidade, alterações de sono, etc.).
  • Quando começaram, com que frequência aparecem e o quanto atrapalham sua vida.
  • História de vida, traumas, perdas, relações importantes, contexto familiar e social.
  • Uso atual e passado de álcool, remédios, drogas e outras substâncias.
  • Histórico de saúde física, medicações em uso e antecedentes familiares de transtornos mentais.

Essa conversa pode levar uma ou mais consultas. Não é “perda de tempo”: é a base para entender se você está passando por transtorno de pânico, ansiedade generalizada, depressão profunda, transtorno bipolar, psicose, TOC, TEPT ou outro quadro.

Exames e diagnóstico diferencial

Em alguns casos, o profissional de saúde mental pode solicitar exames laboratoriais ou de imagem para descartar outras causas físicas que podem se manifestar com sintomas parecidos, como:

  • Alterações tireoidianas (hiper ou hipotireoidismo).
  • Deficiências nutricionais importantes.
  • Doenças neurológicas.
  • Efeitos colaterais de medicações em uso.

Esses exames não “confirmam” por si só um transtorno mental, mas ajudam a afastar outras doenças e a garantir que o tratamento em saúde mental seja feito com segurança.

Tratamentos

Tratamentos para crise de pânico, ansiedade, depressão e outros transtornos mentais

Não existe um único tratamento que sirva para todas as pessoas e todos os transtornos mentais. Mas existe uma boa notícia: há várias opções de tratamento em saúde mental com eficácia comprovada, incluindo psicoterapia, medicação, intervenções em grupo, apoio à família e, em alguns casos, internação em clínica de saúde mental.

Psicoterapia: espaço seguro para elaborar emoções e construir novas estratégias

A psicoterapia é um dos pilares do tratamento em saúde mental. Existem diferentes abordagens (como terapias cognitivo-comportamentais, psicoterapia psicodinâmica, terapias de aceitação e compromisso, terapias de apoio, entre outras), mas todas têm em comum o objetivo de oferecer um espaço estruturado de escuta e reflexão.

Através da psicoterapia, é possível:

  • Entender melhor o que desencadeia crises de pânico e episódios de ansiedade.
  • Identificar padrões de pensamento que alimentam depressão, culpa e vergonha.
  • Aprender técnicas de manejo da ansiedade, regulação emocional e comunicação.
  • Trabalhar traumas, lutos, perdas, mudanças importantes de vida.
  • Fortalecer a autoestima e a capacidade de pedir ajuda.

Psicoterapia não é “apenas conversar”. É um processo ativo, em que você e o profissional constroem juntos formas mais saudáveis de lidar com a vida. Faz diferença buscar alguém que tenha formação adequada, experiência com o tipo de sofrimento que você vive e uma postura ética e respeitosa.

Medicação psiquiátrica: quando e por que usar

Em muitos casos, especialmente quando há transtorno de pânico frequente, ansiedade generalizada intensa, depressão profunda, transtorno bipolar, esquizofrenia ou outros transtornos mentais graves, o uso de medicação pode ser fundamental.

Os principais grupos de medicações em psiquiatria incluem:

  • Antidepressivos — usados em depressão, transtornos de ansiedade, TEPT, TOC e outros quadros.
  • Ansiolíticos — utilizados, com muito cuidado, para controlar sintomas de ansiedade intensa.
  • Estabilizadores de humor — importantes em transtorno bipolar e alguns quadros de instabilidade emocional.
  • Antipsicóticos — usados em esquizofrenia, outros transtornos psicóticos e, às vezes, em fases específicas de outros transtornos.

Somente um psiquiatra pode avaliar quando indicar medicação, qual tipo é mais adequado, a dose e o tempo de uso. Interromper remédios por conta própria, especialmente em transtornos graves, pode ser perigoso. Por isso, é importante tirar dúvidas diretamente com o médico.

Quando buscar suporte

Quando buscar ajuda em saúde mental? Sinais de que você não precisa mais enfrentar tudo sozinho

Uma dúvida recorrente é: “Será que é exagero procurar um psiquiatra ou psicólogo?”. A verdade é que não existe um limite rígido, mas alguns sinais indicam que já passou da hora de dividir esse peso com alguém capacitado.

Sinais de alerta em crises de pânico e ansiedade

Procure ajuda em saúde mental, preferencialmente com um profissional de psiquiatria ou psicologia, se:

  • Você tem crises de pânico repetidas, com taquicardia, falta de ar, medo de morrer e sensação de descontrole.
  • A ansiedade está tão intensa que você começa a evitar lugares, pessoas ou situações importantes.
  • Seu corpo vive cansado, tenso, com dores, insônia e dificuldade de relaxar.
  • A preocupação é constante, entra na sua cabeça assim que você acorda e não desgruda até a hora de dormir.

Sinais em depressão, bipolaridade e outros transtornos mentais

Também é muito importante buscar ajuda se:

  • Você sente tristeza profunda ou vazio emocional quase todos os dias.
  • Perdeu o interesse por atividades que antes traziam prazer.
  • Tem pensamentos repetidos de que não vale nada, de que é um peso, de que não aguenta mais.
  • Percebe mudanças bruscas e intensas de humor, com fases de muita euforia seguidas de quedas profundas.
  • Tem experiências de ouvir vozes, ver coisas ou sentir presenças que outros não percebem.

Em qualquer situação em que haja risco de vida, pensamentos insistentes de morte, perda significativa de contato com a realidade ou incapacidade de cuidar de si mesmo, o ideal é buscar atendimento de urgência em saúde mental o mais rápido possível.

Família e rede de apoio

Família, rede de apoio e estigma: como ajudar alguém com crise de pânico ou transtorno mental

Conviver com alguém que tem crise de pânico, ansiedade intensa, depressão profunda, bipolaridade, esquizofrenia ou outros transtornos mentais é desafiador. A família costuma oscilar entre o desejo de ajudar e a exaustão, entre o cuidado e a raiva, entre a esperança e o medo. É normal se sentir perdido.

Atitudes que ajudam

Algumas atitudes podem fazer grande diferença na vida de quem enfrenta transtornos mentais:

  • Ouvir sem julgar — permitir que a pessoa fale sobre seu medo, sua dor e sua vergonha, sem apressar, sem minimizar.
  • Reconhecer o sofrimento — em vez de dizer “isso é frescura”, “é falta de fé” ou “é fraqueza”, dizer “eu acredito em você” e “vamos buscar ajuda juntos”.
  • Incentivar, mas não forçar — convidar a pessoa a marcar uma consulta, acompanhar, ajudar com logística, mas sem impor decisões sem dialogar.
  • Cuidar de si mesmo também — familiares que se cuidam, fazem terapia, descansam e pedem ajuda têm mais recursos para apoiar.

Atitudes que atrapalham

Assim como há atitudes que ajudam, há comportamentos que podem piorar muito a situação:

  • Usar a doença como arma em brigas (“você é louco mesmo”, “ninguém te aguenta”).
  • Ignorar sinais de gravidade por medo de “externar a vergonha”.
  • Controlar todas as decisões da pessoa, tirando sua autonomia.
  • Proteger tanto que impede qualquer responsabilidade (como se a pessoa fosse incapaz de tudo).

Perguntas frequentes

Dúvidas frequentes sobre crise de pânico, ansiedade e outros transtornos mentais

Abaixo, você encontra respostas em linguagem simples para dúvidas comuns de quem enfrenta crise de pânico, transtornos de ansiedade, depressão, bipolaridade, esquizofrenia e outros transtornos mentais.

Crise de pânico mata?

A crise de pânico é extremamente desconfortável e assustadora, mas, em geral, não é perigosa do ponto de vista físico em pessoas sem doença cardíaca ou outra condição grave. O corpo entra em modo de “alerta máximo”, com taquicardia, falta de ar e outras sensações intensas, mas isso normalmente passa em alguns minutos.

Ainda assim, crises muito frequentes e não tratadas aumentam o sofrimento e o risco de outros problemas de saúde. Por isso, é importante buscar tratamento para transtornos de ansiedade e não encarar as crises como algo “normal” da sua vida.

Qual a diferença entre ansiedade e transtorno de ansiedade?

Ansiedade é uma emoção humana natural, que todos sentimos diante de desafios, mudanças ou situações de risco. Já os transtornos de ansiedade (como transtorno de pânico, ansiedade generalizada, fobia social, fobias específicas) envolvem ansiedade intensa, constante, difícil de controlar e que causa prejuízo significativo na vida da pessoa.

Se a ansiedade está atrapalhando seu sono, seus relacionamentos, seu trabalho ou seus estudos, e se você sente que não consegue controlar isso sozinho, pode ser hora de buscar avaliação profissional.

Como saber se tenho depressão?

Sentir tristeza de vez em quando é normal. A depressão, porém, é uma combinação de tristeza, perda de interesse, falta de energia e outros sintomas que duram semanas ou meses e afetam seu funcionamento diário. Se você se sente assim há muito tempo, se nada parece ter graça, se está se isolando e se sente um peso para os outros, pode ser que esteja com um quadro depressivo.

Apenas um psiquiatra ou psicólogo pode avaliar com precisão se se trata de transtorno depressivo maior ou outro quadro. Não tenha medo de pedir ajuda.

Quem trata transtornos mentais: psicólogo ou psiquiatra?

O psiquiatra é médico especializado em saúde mental, com formação para diagnosticar transtornos mentais, solicitar exames e prescrever medicações. O psicólogo é o profissional que trabalha com psicoterapia, ajudando você a entender emoções, padrões e comportamentos.

Em muitos casos, o ideal é uma combinação dos dois: psiquiatra e psicólogo trabalhando em conjunto. Existem também psiquiatras online e psicólogos online, que podem facilitar o acesso ao tratamento em saúde mental.

Quando a internação psiquiátrica é necessária?

A internação psiquiátrica é geralmente considerada quando há risco importante de autoagressão ou agressão a terceiros, quando a pessoa está muito desorganizada mentalmente ou quando não é possível oferecer os cuidados necessários em casa.

A decisão deve ser tomada por equipe de saúde mental, de forma responsável e, sempre que possível, com diálogo com a família e com o próprio paciente. Internação não é sinônimo de fracasso, mas de cuidado intensivo.

Transtornos mentais têm cura?

Alguns transtornos podem ter episódios únicos que, tratados, não voltam a aparecer; outros podem acompanhar a pessoa por mais tempo, com fases de melhora e fases de piora. Em todos os casos, porém, é possível buscar tratamento em saúde mental para reduzir sintomas, prevenir crises e melhorar a qualidade de vida.

Falar em “cura definitiva” pode ser perigoso, porque cria expectativas irreais. Falar em cuidado contínuo, acompanhamento e construção de uma vida possível costuma ser mais honesto e acolhedor.

O uso de remédio controlado vicia?

Alguns medicamentos usados em psiquiatria têm potencial de dependência quando mal utilizados, especialmente certos ansiolíticos e sedativos. Por isso, devem ser indicados com critério e acompanhados de perto por um psiquiatra.

antidepressivos, estabilizadores de humor e muitos antipsicóticos não causam dependência no sentido de vício, mas podem gerar sintomas de abstinência se interrompidos de forma abrupta. Por isso, qualquer mudança na medicação deve ser feita em conjunto com o médico, de forma gradual e segura.

Como ajudar um familiar que não aceita tratamento?

Essa é uma das situações mais difíceis para as famílias. Algumas estratégias possíveis:

  • Conversar em momentos mais calmos, sem gritos, acusações ou humilhações.
  • Falar sobre o impacto do sofrimento, não apenas sobre o comportamento.
  • Oferecer-se para acompanhar em uma primeira consulta, sem obrigar.
  • Buscar orientação para você mesmo, em terapia ou com serviços como o Grupo Salvar Vidas.

Em casos de risco grave, pode ser necessário acionar serviços de saúde para avaliação de internação psiquiátrica responsável. Cada caso precisa ser analisado com cuidado.

Transtorno bipolar é só mudança de humor?

Não. Transtorno bipolar não é apenas “ser de lua” ou “mudar de humor rápido”. Envolve episódios claros de depressão e episódios de mania ou hipomania, com alterações significativas de energia, sono, comportamento e pensamento.

Quem tem bipolaridade precisa de tratamento especializado, geralmente combinando estabilizadores de humor, acompanhamento psiquiátrico e psicoterapia. Chamar qualquer mudança de humor de “bipolaridade” banaliza a doença e aumenta o estigma.

Esquizofrenia significa ter várias personalidades?

Não. Essa é uma confusão comum. Esquizofrenia é um transtorno psicótico marcado por delírios, alucinações, alterações de pensamento e comportamento desorganizado. Não se trata de “personalidades diferentes” convivendo na mesma pessoa.

O importante é saber que a esquizofrenia tem tratamento e que pessoas com esse diagnóstico podem, com apoio, ter qualidade de vida. O estigma é muitas vezes mais limitador do que o próprio diagnóstico.

Você merece cuidado em saúde mental. Não precisa enfrentar tudo sozinho.

Se você chegou até aqui, é porque, de alguma forma, a crise de pânico, a ansiedade, a depressão, a bipolaridade, a esquizofrenia ou outros transtornos mentais fazem parte da sua vida ou da vida de alguém que você ama. Talvez você esteja cansado de se sentir “quebrado”, com medo de enlouquecer, envergonhado por não conseguir “dar conta” como os outros aparentam.

O que queremos lembrar é: você não está sozinho. Transtornos mentais são doenças de alta prevalência, que podem afetar qualquer pessoa, em qualquer fase da vida. Procurar tratamento em saúde mental não é sinal de fraqueza, mas de coragem e responsabilidade.

O Grupo Salvar Vidas oferece acolhimento inicial, orientação e encaminhamento para que você possa encontrar psiquiatra online ou presencial, psicólogo online, clínica de saúde mental ou outras formas de cuidado compatíveis com a sua realidade.

Em situações de emergência, risco imediato ou pensamentos suicidas, procure serviços de urgência da sua região (SAMU 192, pronto-socorro, UPA, hospitais) o quanto antes. Depois da estabilização, estaremos aqui para caminhar com você na construção de um plano de cuidado contínuo em saúde mental.