Crise de pânico, ansiedade e transtornos mentais — sintomas, causas e tratamento especializado em saúde mental
Talvez você esteja lendo este texto depois de sentir o coração disparar, o ar faltar, um medo enorme de morrer ou enlouquecer sem motivo aparente. Talvez alguém que você ama esteja em sofrimento com ansiedade, depressão, bipolaridade, esquizofrenia ou outro transtorno mental e você não saiba mais como ajudar.
As chamadas crises de pânico e os diferentes transtornos de ansiedade podem causar sintomas intensos no corpo e na mente: taquicardia, tremores, sensação de desmaio, pensamentos catastróficos, medo de perder o controle. Outros transtornos mentais, como depressão profunda, transtorno depressivo maior, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de personalidade borderline, TOC e TEPT, também impactam diretamente o humor, o sono, a alimentação, o trabalho e os relacionamentos.
Este guia foi escrito em linguagem simples, com base na prática clínica em psiquiatria e psicologia, para explicar sintomas, causas, fatores de risco, prevenção e formas de tratamento em saúde mental. O objetivo é acolher, informar e incentivar você a não enfrentar tudo isso sozinho. Informação de qualidade é um primeiro passo importante, mas não substitui uma avaliação presencial ou online com psiquiatra ou psicólogo.
- “De repente meu coração dispara e sinto que vou morrer.”
- “Tenho medo de perder o controle em público.”
- “Nada mais faz sentido, não tenho energia para nada.”
- “Uso bebida ou drogas para conseguir dormir ou desligar a mente.”
este conteúdo pode ajudar você a entender melhor o que está acontecendo e qual pode ser o próximo passo seguro.
Em situações de crise grave, risco à vida ou pensamentos de se machucar, procure imediatamente um serviço de emergência da sua região (como SAMU 192 ou pronto-socorro) e serviços de apoio emocional. Não espere passar sozinho.
O que é crise de pânico e ansiedade?
A palavra “pânico” costuma ser usada no dia a dia para qualquer momento de desespero. Do ponto de vista da psiquiatria e da psicologia clínica, porém, uma crise de pânico (ou ataque de pânico) é um episódio abrupto de medo intenso, acompanhado de sintomas físicos e emocionais muito fortes, que atingem o pico em poucos minutos e causam a sensação de que algo terrível está prestes a acontecer.
Muita gente procura “crise de pânico mata?”, “como tratar crise de pânico” ou “transtorno de pânico” nos buscadores porque se assusta com a intensidade dos sintomas. A boa notícia é que, embora a experiência pareça ameaçadora, a crise em si não provoca infarto nem causa morte súbita. Isso não significa que o sofrimento seja pequeno: ao contrário, é uma das experiências mais angustiantes da saúde mental e merece atenção especializada.
Sintomas da crise de pânico
Um ataque de pânico pode acontecer em qualquer lugar: no ônibus, em uma fila, dirigindo, no trabalho, na escola, em casa ou até durante o sono (o chamado ataque de pânico noturno). Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas os mais comuns incluem:
- Palpitações, taquicardia ou aceleração dos batimentos cardíacos.
- Sensação de falta de ar, aperto no peito, “bolo na garganta” ou sufocamento.
- Tremores, formigamentos, sudorese fria, sensação de desmaio ou instabilidade.
- Ondas de calor ou arrepios.
- Náusea, desconforto abdominal, boca seca.
- Sensação de irrealidade (desrealização) ou de estar fora do próprio corpo (despersonalização).
- Medo intenso de enlouquecer, perder o controle, passar vergonha ou morrer.
- Vontade urgente de fugir do local ou de se afastar de pessoas.
O cérebro da pessoa em crise interpreta sensações internas como sinais de perigo extremo e dispara uma reação de “luta ou fuga”. É como se o corpo inteiro acreditasse que está diante de uma ameaça mortal, mesmo quando, na realidade, não há um risco físico imediato. Isso explica por que muitas pessoas com transtorno de pânico acabam procurando prontos-socorros cardiológicos várias vezes, antes de descobrir que a origem dos sintomas está ligada à ansiedade.
Diferença entre crise pontual e transtorno de pânico
Ter uma ou outra crise de ansiedade ou crise de pânico ao longo da vida não significa necessariamente que você tenha um transtorno de pânico. O diagnóstico depende de critérios específicos, como:
- Crises recorrentes e inesperadas, sem relação direta com um perigo concreto.
- Medo intenso de ter novas crises, levando a comportamentos de evitação (parar de dirigir, evitar lugares fechados, multidões, filas etc.).
- Preocupação constante com as consequências das crises (“vou infartar”, “vou enlouquecer”, “vou desmaiar em público”).
- Alteração significativa na rotina, na vida social, no trabalho ou nos estudos por causa do pânico.
Quando o medo de ter uma nova crise passa a controlar a vida da pessoa, surgem quadros como transtorno de pânico e, em alguns casos, agorafobia (medo de estar em locais difíceis de escapar ou onde seria constrangedor ter uma crise). É aí que o acompanhamento em saúde mental se torna fundamental.
Ansiedade normal x transtornos de ansiedade
Sentir ansiedade faz parte da experiência humana. Antes de uma entrevista de emprego, de uma prova, de uma cirurgia ou de uma conversa difícil, é esperado que o corpo fique mais alerta: coração um pouco acelerado, suor nas mãos, pensamento focado no desafio. É a chamada ansiedade adaptativa, que nos ajuda a reagir e nos preparar.
A ansiedade se torna um problema quando é frequente, intensa, desproporcional em relação às situações e começa a atrapalhar a rotina, o sono, o rendimento no trabalho ou na escola e os relacionamentos. Nesses casos, falamos em transtornos de ansiedade, um grupo de condições que inclui:
- Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) — preocupação excessiva com várias áreas da vida, quase todos os dias, por meses; tensão muscular, irritabilidade, dificuldade de relaxar.
- Fobia social ou ansiedade social — medo intenso de ser avaliado ou julgado em situações sociais, reuniões, apresentações, conversas com desconhecidos.
- Transtorno de pânico — crises de pânico recorrentes e inesperadas, associadas ao medo de ter novas crises.
- Fobias específicas — medo extremo de situações ou objetos específicos (avião, altura, animais, agulhas, sangue etc.).
- Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) — presença de obsessões (pensamentos intrusivos) e compulsões (rituais) ligadas à ansiedade.
- Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) — reações intensas após experiências traumáticas, com flashbacks, pesadelos, hipervigilância.
Em todos esses quadros, é importante lembrar: ansiedade não é frescura, fraqueza nem falta de fé. É um conjunto de sintomas que envolve fatores biológicos, psicológicos, sociais e, muitas vezes, espirituais, e que pode ser tratado com psicoterapia, medicação e mudanças de estilo de vida, sempre com acompanhamento profissional.
Exemplos do dia a dia de quem sofre com ansiedade e crise de pânico
Para entender melhor como a ansiedade e a crise de pânico impactam a vida real, pense em situações como:
- A pessoa que ama dirigir, mas depois de uma crise ao volante passa a evitar pegar estrada, ir a shoppings ou entrar em túneis.
- Quem sempre foi comunicativo, mas desenvolve ansiedade social e começa a faltar a eventos, recusar convites e se isolar.
- Estudantes que passam a adiar provas, trabalhos e apresentações por medo de travar, tremer ou “passar vergonha” na frente dos outros.
- Pais e mães que deixam de sair com os filhos porque têm pânico de ter um mal súbito em público.
Nesses cenários, não se trata apenas de “nervosismo”: a pessoa vai adaptando a vida inteira para evitar qualquer possibilidade de nova crise. Em geral, isso leva a mais solidão, mais medo e mais sofrimento — exatamente o que o tratamento em saúde mental busca reverter.
Ataque de pânico noturno
Algumas pessoas acordam no meio da madrugada com o coração disparado, dificuldade para respirar, sensação de sufocamento e medo intenso de morte. Isso pode ser um ataque de pânico noturno. Muitas vezes, o episódio não está diretamente ligado a um sonho; é como se o corpo “disparasse” a reação de ameaça enquanto a pessoa dormia.
Essa experiência é assustadora e pode levar a medo de dormir, sono fragmentado e exaustão durante o dia. Psicoterapia e tratamento medicamentoso adequados costumam reduzir bastante esse tipo de crise. Caso você esteja vivendo algo assim, converse com um psiquiatra ou psicólogo de confiança para uma avaliação completa.
Mitos comuns sobre crise de pânico e ansiedade
- “Crise de pânico é frescura.” — Não é. Trata-se de um quadro reconhecido em manuais de psiquiatria, com base biológica e psicológica.
- “Se eu for ao psiquiatra é porque sou louco.” — Não. Psiquiatras são médicos especializados em saúde mental; procurar ajuda é autocuidado.
- “Se eu começar remédio, nunca mais vou conseguir parar.” — O uso e o tempo de tratamento são planejados caso a caso, com acompanhamento médico.
- “Quem tem ansiedade é porque não confia em Deus.” — Fé e tratamento profissional podem caminhar juntos; uma coisa não exclui a outra.
Depressão e outros transtornos mentais frequentes
Quando falamos em transtornos mentais, muitas pessoas pensam apenas em “loucura” ou em quadros muito graves, como esquizofrenia. Na prática, os transtornos mentais formam um espectro amplo, que inclui desde condições muito prevalentes, como depressão e ansiedade, até quadros considerados graves, como transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno borderline e outros transtornos psicóticos e de personalidade.
É fundamental reforçar: sentir tristeza, desânimo ou preocupação em alguns momentos é humano. Entretanto, quando sintomas persistem por semanas ou meses, trazem sofrimento intenso e prejudicam o funcionamento diário, podemos estar diante de um quadro de transtorno mental que merece atenção especializada em saúde mental.
Depressão, depressão profunda e transtorno depressivo maior
A depressão é muito mais do que “estar para baixo” ou “desanimado”. No transtorno depressivo maior, os sintomas costumam incluir:
- Humor triste, vazio ou irritável na maior parte do tempo.
- Perda de interesse ou prazer em atividades antes consideradas importantes.
- Cansaço extremo, sensação de peso no corpo, pouca energia para tarefas simples.
- Alterações no sono (insônia ou sono em excesso) e no apetite (comer muito mais ou muito menos).
- Dificuldade de concentração, memória e tomada de decisões.
- Sentimentos de culpa excessiva, inutilidade, baixa autoestima.
- Visão pessimista do futuro, sensação de que nada vai melhorar.
- Pensamentos recorrentes sobre morte ou sobre “não existir mais”.
O termo “depressão profunda” costuma ser usado para quadros mais graves, em que a pessoa fica praticamente sem energia, isolada, sem conseguir cumprir compromissos básicos, com sofrimento intenso e, às vezes, com risco de autoagressão. Nesses casos, o acompanhamento com psiquiatra é indispensável e, em algumas situações, pode ser necessária internação em clínica de saúde mental ou hospital psiquiátrico, sempre de forma responsável, para garantir segurança e tratamento adequado.
É muito importante lembrar que somente um profissional de saúde, especialmente o psiquiatra, pode fechar o diagnóstico correto. Muitos quadros físicos (hipotireoidismo, anemia, efeitos de medicamentos, entre outros) podem imitar sintomas depressivos. Por isso, não se autodiagnostique apenas pelo que lê na internet; use a informação para buscar ajuda qualificada.
Depressão persistente (distimia)
Além do transtorno depressivo maior, existe também um quadro chamado transtorno depressivo persistente (antiga distimia). Nele, a pessoa não necessariamente apresenta sintomas intensos o tempo todo, mas vive anos com humor deprimido, baixa energia, autocrítica excessiva e sensação de “arrastar a vida”.
Muitas vezes, quem convive com distimia acha que “é só do meu jeito”, quando, na verdade, pode se beneficiar de tratamento para depressão, com psicoterapia e, em alguns casos, medicação.
Transtorno bipolar e bipolaridade
O transtorno bipolar é frequentemente confundido com “mudança de humor” do dia a dia. Na verdade, trata-se de uma condição em que a pessoa alterna episódios de depressão com episódios de mania ou hipomania.
Durante os episódios depressivos, os sintomas são semelhantes aos da depressão maior. Já nos episódios de mania/hipomania podem aparecer:
- Humor muito elevado, eufórico ou irritável de forma desproporcional.
- Redução da necessidade de sono, com a pessoa dormindo pouco e se sentindo cheia de energia.
- Aceleração do pensamento e da fala, dificuldade de manter o foco em um assunto.
- Sentimento de grandiosidade, ideia de que é capaz de tudo, muitas vezes subestimando riscos.
- Comportamentos impulsivos: gastos excessivos, uso de drogas, envolvimentos sexuais de risco, decisões impensadas.
Há diferentes tipos de transtorno bipolar (como tipo I e tipo II), e o diagnóstico exige avaliação cuidadosa. O tratamento inclui estabilizadores de humor e, muitas vezes, psicoterapia. Quando bem cuidado, é possível ter uma vida produtiva e significativa, mesmo convivendo com o diagnóstico.
Transtornos do espectro psicótico: esquizofrenia e outros
A esquizofrenia e outros transtornos psicóticos são condições em que a pessoa pode ter alterações na forma de perceber a realidade. Podem surgir:
- Delírios — crenças firmes que não correspondem aos fatos (por exemplo, estar sendo perseguido sem evidências, acreditar que há uma conspiração).
- Alucinações — perceber coisas que outras pessoas não percebem, como ouvir vozes que comentam, xingam ou dão ordens.
- Discursos confusos, dificuldade de organizar o pensamento.
- Comportamento estranho, retraimento social, queda no autocuidado.
Esses quadros costumam assustar muito a família e o próprio paciente. Em situações de risco, é possível que seja preciso internação psiquiátrica por um período, sempre com foco em proteção e tratamento. O uso regular de antipsicóticos, associado a acompanhamento multiprofissional, costuma reduzir bastante os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Mais uma vez: apenas avaliação médica pode definir se um quadro é esquizofrenia, psicose induzida por substâncias, transtorno esquizoafetivo ou outro diagnóstico. O papel da família, nesses casos, é buscar ajuda rapidamente, não ignorar sinais de risco e apoiar a adesão ao tratamento.
Transtorno de personalidade borderline (TPB)
O transtorno de personalidade borderline (também chamado de transtorno de personalidade emocionalmente instável) é uma condição em que a pessoa apresenta:
- Intensa instabilidade emocional, com oscilações rápidas de humor.
- Medo profundo de abandono, fazendo esforços intensos para evitar rejeição real ou imaginada.
- Relacionamentos intensos e conflituosos, alternando idealização e desvalorização.
- Imagem de si mesma muito oscilante (ora se vê como maravilhosa, ora como lixo).
- Impulsividade em áreas como gastos, alimentação, uso de substâncias, sexualidade.
Muitas pessoas com TPB apresentam história de traumas, abuso emocional, físico ou sexual na infância ou adolescência. O tratamento costuma envolver psicoterapias específicas (como Terapia Comportamental Dialética – DBT) e, em alguns casos, medicação para estabilizar humor e reduzir sintomas de ansiedade e depressão.
TOC, TEPT e outros transtornos de ansiedade
O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é marcado pela presença de:
- Obsessões — pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes, intrusivos, que causam ansiedade (medo de contaminação, de causar dano aos outros, de blasfemar, entre outros).
- Compulsões — atos mentais ou comportamentais repetitivos (lavar as mãos inúmeras vezes, checar portas, rezar de forma ritualizada) feitos para reduzir a ansiedade ou evitar algum “mal”.
Já o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) aparece após eventos traumáticos, como violência, acidentes, abuso, desastres. Os sintomas incluem reviver o trauma, pesadelos, flashbacks, hipervigilância, irritabilidade e esquiva de situações que lembrem o ocorrido.
Tanto no TOC quanto no TEPT, formas específicas de psicoterapia e, em muitos casos, o uso de antidepressivos e outros medicamentos podem trazer alívio importante. O recado central continua o mesmo: não lute sozinho.
Transtornos alimentares e imagem corporal
Quadros como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar periódica também fazem parte dos transtornos mentais e impactam profundamente a saúde física e emocional.
Alterações graves no peso, fixação em dietas extremas, episódios de comer em grande quantidade seguidos de culpa intensa, além de uso de laxantes ou vômitos provocados, são sinais de alerta importantes. O tratamento costuma envolver psiquiatra, psicólogo, nutricionista e, às vezes, internação em clínica especializada.
Relação entre transtornos mentais e dependência química
É muito comum que transtornos mentais e dependência química apareçam juntos. Muitas pessoas com ansiedade generalizada, crises de pânico, depressão profunda ou transtornos psicóticos usam álcool, maconha, cocaína, crack, benzodiazepínicos ou outras substâncias como uma tentativa de aliviar o sofrimento. É o que chamamos de automedicação.
No começo, pode parecer que “funciona”: a bebida relaxa, a droga dá sensação de anestesia ou euforia, o remédio tomado por conta faz dormir. Com o tempo, no entanto, o cérebro passa a depender cada vez mais da substância, e aquilo que era um “alívio momentâneo” acaba virando mais um problema.
Quando ansiedade, depressão, bipolaridade, esquizofrenia ou outros transtornos coexistem com uso abusivo de álcool e drogas, falamos em comorbidade psiquiátrica. Nesses casos, o tratamento precisa ser integrado, levando em conta tanto a saúde mental quanto a dependência química.
O Grupo Salvar Vidas atua justamente na interface entre esses mundos, oferecendo orientação, acolhimento e encaminhamento para serviços que tratam ansiedade, depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, TEPT, TOC e outros transtornos mentais associados ao uso de substâncias. Falar sobre isso sem julgamento é o primeiro passo para mudar a história.
Sinais de alerta de comorbidade entre transtornos mentais e uso de substâncias
- Usar bebida ou drogas para conseguir dormir, trabalhar ou se relacionar socialmente.
- Perceber piora da ansiedade, da depressão ou das crises de pânico após o uso de álcool ou drogas.
- Não conseguir reduzir a quantidade consumida, mesmo percebendo prejuízos na saúde, no trabalho e na família.
- Esconder o uso de substâncias de pessoas próximas, mentindo sobre a frequência ou a quantidade.
Se você se reconhece nesses pontos, vale conversar de forma honesta com a equipe de saúde sobre tratamento para dependência química associado ao cuidado da sua saúde mental.
Causas e fatores de risco em saúde mental
Não existe uma única causa para crise de pânico, ansiedade, depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia ou outros transtornos mentais. Em geral, falamos de um modelo multifatorial, que envolve:
- Fatores biológicos — genética, funcionamento dos neurotransmissores, alterações neuroquímicas, doenças físicas associadas.
- Fatores psicológicos — traumas, estilo de apego, padrões de pensamento, estratégias de enfrentamento.
- Fatores sociais — pobreza, violência, discriminação, desemprego, falta de acesso à educação e saúde.
- Fatores de estilo de vida — sono irregular, uso de álcool e drogas, alimentação desregulada, excesso de telas e redes sociais, falta de atividade física.
Fatores biológicos e genéticos
Algumas pessoas têm maior predisposição para desenvolver transtornos de ansiedade, depressão, bipolaridade ou esquizofrenia por razões genéticas. Ter familiares de primeiro grau com diagnósticos psiquiátricos aumenta o risco, mas não determina o destino de ninguém. Predisposição não é sentença: é apenas uma parte da história.
Alterações em neurotransmissores como serotonina, noradrenalina, dopamina e GABA também estão relacionadas à ansiedade generalizada, transtorno depressivo maior, transtorno de pânico, TOC, TEPT e esquizofrenia. É por isso que, em alguns casos, o uso de medicamentos que modulam esses sistemas pode ser fundamental.
Fatores psicológicos: traumas, crenças e maneiras de sentir
Experiências de vida, especialmente na infância e adolescência, influenciam a forma como aprendemos a sentir e lidar com emoções. Histórias de abandono, abuso físico, sexual ou emocional, bullying, humilhações, negligência podem aumentar o risco de transtorno de pânico, TEPT, transtorno borderline, depressão, ansiedade social e outros quadros.
Além disso, crenças aprendidas — como “não posso demonstrar fraqueza”, “sou um peso para os outros”, “não sou digno de amor” — podem manter ciclos de ansiedade e depressão. A psicoterapia ajuda justamente a identificar e ressignificar essas histórias.
Fatores sociais e culturais
Ninguém adoece no vazio. Desigualdade social, violência urbana, racismo, homofobia, machismo, desemprego, pressão por produtividade e falta de acesso a serviços de saúde e educação são elementos que atravessam a saúde mental de milhões de brasileiros.
Em comunidades com pouca rede de apoio e muito estigma em relação a “doença mental”, a tendência é que sintomas de ansiedade, depressão, dependência química e outros transtornos sejam escondidos por vergonha, o que atrasa ainda mais a busca por ajuda.
Estilo de vida, telas e uso de substâncias
Rotinas de sono caóticas, longas jornadas de trabalho, falta de pausas, alimentação pobre em nutrientes, sedentarismo e uso intenso de telas (especialmente à noite) aumentam a vulnerabilidade a crises de ansiedade, ataques de pânico, irritabilidade, fadiga e depressão.
O consumo frequente de álcool, maconha, estimulantes, medicamentos sem prescrição também interfere no equilíbrio neuroquímico do cérebro e pode desencadear ou piorar quadros como transtorno de pânico, TAG, transtorno depressivo maior, bipolaridade e psicose.
Isso não significa que a responsabilidade pela doença esteja apenas na pessoa. Significa que pequenas mudanças no estilo de vida — como ajustar o sono, cuidar da alimentação, reduzir o uso de substâncias e de telas, buscar momentos de descanso — podem fazer parte do tratamento, sempre em diálogo com a equipe de saúde.
Fatores de proteção: o que fortalece a saúde mental
Além de olhar para os riscos, é importante olhar para o que protege. Alguns fatores que ajudam a reduzir o impacto dos transtornos mentais:
- Ter pelo menos uma relação significativa de confiança.
- Poder falar sobre sentimentos sem medo de julgamento.
- Ter rotina mínima de sono, alimentação e atividades significativas.
- Participar de grupos, comunidades ou espaços de espiritualidade que acolham sem culpar.
- Ter acesso a informação e serviços de saúde mental de forma contínua.
Cuidar de saúde mental não é apenas tratar crises, mas também cultivar esses fatores de proteção no dia a dia.
Diagnóstico em psiquiatria e avaliação em saúde mental
Um dos maiores medos de quem busca ajuda em saúde mental é receber um rótulo para o resto da vida. É importante lembrar que o objetivo de um diagnóstico psiquiátrico não é colocar um carimbo na testa da pessoa, mas ajudar a entender o que está acontecendo para planejar o melhor tratamento para ansiedade, depressão, transtorno de pânico, bipolaridade, esquizofrenia e outros quadros.
Como é feita a avaliação?
Em geral, a avaliação com psiquiatra ou psicólogo inclui:
- Entrevista clínica detalhada — conversa sobre sintomas atuais, início, duração, intensidade, gatilhos e impacto na vida.
- História de saúde geral — doenças físicas, uso de medicamentos, histórico de internações, exames prévios.
- História familiar — presença de transtornos mentais, dependência química ou problemas de saúde em parentes próximos.
- Contexto de vida — trabalho, escola, relacionamentos, espiritualidade, eventos traumáticos, rede de apoio.
- Avaliação de risco — presença de pensamentos de morte, ideação suicida, autolesões, agressividade ou risco de violência.
Em alguns casos, o médico pode solicitar exames laboratoriais ou de imagem para descartar condições orgânicas (problemas hormonais, neurológicos etc.) que podem provocar ou agravar sintomas de ansiedade, depressão, psicose ou transtornos cognitivos.
Psicólogo, psiquiatra ou outros profissionais?
Cada profissional tem um papel específico:
- Psicólogo — atua principalmente com psicoterapia, ajudando a compreender e ressignificar pensamentos, emoções e comportamentos.
- Psicanalista, terapeuta, counselor — podem ter formações diferentes e abordagens variadas; é importante verificar a formação e o registro profissional.
- Psiquiatra — é médico especializado em saúde mental; pode diagnosticar e prescrever medicamentos, além de acompanhar clinicamente o paciente.
- Enfermeiro, terapeuta ocupacional, assistente social, educador físico, nutricionista — compõem a equipe de cuidado em muitos serviços e clínicas.
Em quadros mais leves, muitas vezes psicoterapia já traz grande benefício. Nos quadros moderados a graves, como depressão profunda, transtorno bipolar, esquizofrenia, crise de pânico intensa, TEPT com grande impacto, a combinação entre psiquiatra e psicólogo é normalmente o caminho mais indicado.
Como se preparar para a primeira consulta em saúde mental
Para aproveitar melhor a primeira consulta com psiquiatra ou psicólogo, pode ajudar:
- Anotar os principais sintomas que você vem sentindo, há quanto tempo e em quais situações.
- Levar uma lista dos medicamentos que usa atualmente (incluindo fitoterápicos e suplementos).
- Registrar se alguém na família já teve depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, dependência química ou outros quadros.
- Levar exames recentes, se tiver, e anotar dúvidas que você não quer esquecer de perguntar.
Lembre-se: o consultório é um espaço de cuidado. Você não está sendo “avaliado” como em uma prova, e sim convidado a construir, junto com o profissional, um plano possível para sua realidade.
Tratamentos para crise de pânico e transtornos mentais
Não existe um único tratamento que sirva para todas as pessoas e todos os tipos de transtornos mentais. Contudo, décadas de pesquisa em psiquiatria e psicologia mostram que a combinação de psicoterapia, medicação quando indicada, mudanças no estilo de vida e rede de apoio é a estratégia mais eficaz para quadros como ansiedade, crise de pânico, depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, TOC, TEPT e outros.
Psicoterapia: espaço seguro para elaborar e ressignificar
A psicoterapia é um dos pilares do tratamento em saúde mental. Existem diversas abordagens:
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC) — trabalha a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos; muito eficaz para ansiedade, pânico, depressão, TOC, TEPT.
- Terapias psicodinâmicas — exploram experiências passadas, relacionamentos e padrões inconscientes que influenciam a vida atual.
- Terapia comportamental dialética (DBT) — indicada especialmente para transtorno de personalidade borderline e comportamentos impulsivos.
- Terapias de apoio, terapia familiar e de casal — importantes para fortalecer vínculos, melhorar comunicação e reduzir conflitos.
O mais importante não é o nome da técnica, mas a qualidade da relação terapêutica: um espaço em que você se sinta ouvido, respeitado e desafiado a crescer na medida certa.
Tratamento medicamentoso em psiquiatria
Em diversos casos, o uso de medicamentos psiquiátricos faz parte do tratamento. Entre os grupos mais utilizados estão:
- Antidepressivos — usados em depressão, ansiedade generalizada, transtorno de pânico, TOC, TEPT e outros quadros.
- Ansiolíticos — podem ser usados em curto prazo para controlar crises de ansiedade e crise de pânico, sempre com cuidado para evitar dependência.
- Estabilizadores de humor — fundamentais no tratamento da bipolaridade e em alguns casos de depressão resistente.
- Antipsicóticos — indicados em quadros de esquizofrenia, transtornos psicóticos, transtorno bipolar com sintomas psicóticos.
Apenas o psiquiatra pode avaliar a necessidade de medicação, definir doses, ajustar combinações e orientar sobre efeitos colaterais. Jamais inicie, altere ou suspenda medicamentos psiquiátricos por conta própria. Interromper bruscamente o tratamento pode causar piora de sintomas e crises importantes.
Abordagem combinada e tratamentos complementares
Em muitos casos, a melhor estratégia é a combinação de terapia + medicação + intervenções psicossociais. Alguns elementos complementares que podem fazer diferença:
- Atividade física regular, respeitando limites físicos.
- Higiene do sono — horários mais regulares, menos telas à noite, ambiente escuro e silencioso.
- Alimentação equilibrada, rica em nutrientes.
- Gestão de estresse — pausas ao longo do dia, técnicas de respiração, meditação ou oração conforme a espiritualidade de cada um.
- Grupos de apoio — presencial ou online, para compartilhar experiências com outras pessoas que vivem situações semelhantes.
Nenhuma dessas medidas substitui a avaliação com profissionais, mas todas podem potencializar o efeito do tratamento e melhorar a qualidade de vida.
Tratamento na rede pública (SUS) e serviços comunitários
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento em saúde mental por meio de diferentes serviços, como:
- Unidades básicas de saúde, onde é possível começar a conversa e receber encaminhamentos.
- CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), focados em transtornos mentais graves e dependência química.
- Ambulatórios de saúde mental em hospitais gerais.
Embora a realidade de acesso varie muito de região para região, é importante lembrar que saúde mental também é um direito na rede pública.
Internação psiquiátrica e clínica de saúde mental
A palavra “internação psiquiátrica” gera medo em muitas famílias, porque ainda é cercada de estigmas e histórias antigas de violência e abandono. Felizmente, a realidade vem mudando, e cada vez mais serviços buscam oferecer internação responsável, ética e humanizada.
A internação pode ser considerada quando:
- Há risco significativo à vida da pessoa ou de terceiros.
- Há perda importante de contato com a realidade, como em alguns quadros de psicose, esquizofrenia ou mania grave.
- O uso de álcool e drogas está fora de controle, com risco de descompensações clínicas.
- O tratamento ambulatorial (consultas e terapia) não está sendo suficiente para conter as crises.
Nessas situações, a internação em clínica de saúde mental ou hospital psiquiátrico pode oferecer um ambiente mais protegido para estabilização, ajuste de medicações e planejamento de cuidado a médio e longo prazo. Sempre que possível, a família deve ser incluída no processo.
Quando buscar ajuda em saúde mental?
Uma dúvida muito comum é: “em que momento eu preciso procurar um psiquiatra particular ou um psicólogo online? Será que não estou exagerando?”. Em geral, vale a pena buscar ajuda quando:
- Os sintomas de ansiedade, crise de pânico, tristeza, irritabilidade ou oscilações de humor duram semanas ou meses.
- Você percebe perda de desempenho no trabalho, na escola ou na faculdade.
- Você passa a evitar situações, lugares e pessoas por medo de crise, vergonha ou cansaço.
- O sono, o apetite e a vida sexual estão muito alterados.
- Você sente que está “no limite”, com vontade de sumir, sem conseguir enxergar saída.
Não é preciso esperar chegar ao extremo para pedir ajuda. Quanto mais cedo o cuidado começa, mais fácil costuma ser reorganizar a vida.
Sinais de alerta em crianças e adolescentes
Crianças e adolescentes também podem apresentar crise de ansiedade, depressão, TEPT, TOC, transtornos alimentares e uso problemático de telas e substâncias. Em geral, os sinais aparecem de forma diferente da dos adultos:
- Queda brusca no rendimento escolar.
- Mudanças intensas de comportamento (isolamento, irritabilidade, explosões de raiva).
- Queixas físicas frequentes (dor de cabeça, dor de barriga) sem causa médica clara.
- Alterações de sono, pesadelos recorrentes, medo excessivo de ficar longe dos cuidadores.
Em qualquer dúvida, procure orientação com pediatra, psiquiatra da infância e adolescência ou psicólogo infantil.
Saúde mental no trabalho e síndrome de burnout
Pressão por produtividade, jornadas extensas, metas inalcançáveis e ambientes tóxicos podem levar ao esgotamento emocional conhecido como burnout. Alguns sinais de alerta:
- Sensação constante de exaustão física e mental.
- Perda de interesse ou cinismo em relação ao trabalho.
- Queda de desempenho, erros frequentes, dificuldade de concentração.
- Queixas físicas constantes, como dores musculares, cefaleia, alterações gástricas.
Buscar ajuda em saúde mental não é “trair” a empresa; é cuidar de si para não adoecer ainda mais.
Família, rede de apoio e estigma
Transtornos mentais não afetam apenas quem recebe o diagnóstico. Afetam também a família, os amigos, colegas de trabalho e a comunidade. O modo como o entorno reage pode facilitar ou dificultar muito o processo de recuperação.
Como a família pode ajudar?
Algumas atitudes fazem diferença:
- Ouvir sem julgamentos, permitindo que a pessoa fale sobre medo, angústia, pensamentos difíceis.
- Levar a sério quando alguém fala que não está bem; evitar frases como “isso é frescura”, “você não tem motivo para isso”.
- Estimular a busca por tratamento, oferecendo ajuda para marcar consultas, acompanhar em atendimentos quando necessário.
- Aprender sobre o transtorno — entender o que é depressão, ansiedade, esquizofrenia, bipolaridade, borderline, ajuda a reduzir conflitos.
- Cuidar de si mesmo — familiares também precisam de apoio, terapia e descanso; ninguém consegue cuidar bem se estiver totalmente esgotado.
Atitudes que atrapalham
Algumas posturas, mesmo bem-intencionadas, acabam aumentando a dor:
- Dizer que é “falta de Deus, de fé ou de força de vontade”.
- Ameaçar a pessoa (“se você não melhorar, vou te internar para sempre”, “vou te abandonar”).
- Espionar, controlar ou invadir a privacidade o tempo todo.
- Deixar de seguir orientações da equipe de saúde, interrompendo tratamento sem conversar com os profissionais.
Normalmente, a melhor postura é combinar firmeza com acolhimento: colocar limites quando necessário, mas sem humilhar nem desqualificar o sofrimento.
Quando quem adoece é o cuidador
Cuidar de alguém com transtornos mentais graves, dependência química, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno borderline é emocionalmente exigente. É comum que cuidadores desenvolvam sintomas de ansiedade, depressão e burnout.
Cuidar de quem cuida também é parte do tratamento. Buscar terapia, participar de grupos de apoio de familiares e pedir ajuda para dividir responsabilidades é sinal de maturidade, não de egoísmo.
Combate ao estigma
Ainda existe muito estigma em torno de transtornos mentais graves, internação psiquiátrica, uso de remédios controlados e dependência química. O medo do julgamento faz com que muitas pessoas passem anos escondendo sintomas de crise de pânico, ansiedade, depressão, TOC, TEPT, bipolaridade e esquizofrenia, atrasando a busca por tratamento.
Falar abertamente sobre saúde mental, disseminar informação de qualidade e buscar ajuda quando necessário são formas concretas de quebrar esse ciclo de silêncio. Cada vez que uma família decide tratar a saúde mental com a mesma seriedade com que trataria a saúde física, um pedaço desse estigma cai.
Dúvidas frequentes sobre crise de pânico e transtornos mentais
A seguir, respondemos algumas perguntas comuns de quem procura informações sobre crise de pânico, ansiedade, depressão, transtornos mentais graves, internação psiquiátrica e tratamento em saúde mental. Lembre-se sempre: cada pessoa é única, e nada substitui uma conversa direta com profissionais.
Crise de pânico mata?
A sensação durante uma crise de pânico pode ser a de que você está infartando, sofrendo um AVC ou enlouquecendo. No entanto, o ataque de pânico em si não provoca morte súbita. O que acontece é uma ativação intensa do sistema nervoso, com liberação de adrenalina e vários sintomas físicos. Isso não significa que a crise seja “bobagem”: o sofrimento é real e precisa ser tratado, principalmente quando se torna frequente.
Qual a diferença entre ansiedade e transtorno de ansiedade?
Ansiedade é uma resposta normal do organismo em situações de risco, desafio ou mudança. Já os transtornos de ansiedade aparecem quando essa resposta se torna exagerada, constante, desproporcional e passa a prejudicar o dia a dia. Exemplo: sentir um certo frio na barriga antes de uma apresentação é comum; deixar de estudar, trabalhar ou sair de casa por medo de crises pode indicar um transtorno de ansiedade generalizada, fobia social, transtorno de pânico ou outro quadro.
Como saber se tenho depressão?
Desânimo ou tristeza pontual não significam, necessariamente, depressão. É importante observar se, por pelo menos duas semanas, você tem apresentado humor deprimido, perda de interesse, cansaço extremo, alterações de sono e apetite, dificuldade de concentração, culpa excessiva e pensamentos de morte. Se isso está acontecendo, vale muito a pena buscar avaliação com psiquiatra ou psicólogo para investigar transtorno depressivo maior ou outras condições relacionadas.
Quem trata transtornos mentais: psicólogo ou psiquiatra?
Ambos têm papéis fundamentais. Psicólogos trabalham principalmente com psicoterapia, ajudando a reorganizar pensamentos, emoções e comportamentos. Psiquiatras são médicos que podem diagnosticar, prescrever medicamentos e acompanhar o quadro clínico. Na prática, em muitos casos, a melhor abordagem é a combinação de psiquiatra + psicólogo, seja presencialmente, seja por meio de psiquiatra online e psicólogo online, quando isso for seguro e adequado.
Quando a internação psiquiátrica é necessária?
A internação psiquiátrica responsável é indicada quando há risco intenso à vida (por exemplo, tentativas de autoagressão), perda significativa de contato com a realidade, uso de substâncias fora de controle ou incapacidade grave de se cuidar. A decisão deve ser tomada por equipe médica, preferencialmente com participação da família, avaliando riscos e benefícios. O objetivo da internação é proteger e tratar, não punir.
Transtornos mentais têm cura?
A resposta depende do quadro específico. Alguns transtornos, como episódios depressivos isolados ou transtornos de ansiedade leves, podem remitir completamente. Outros, como transtorno bipolar, esquizofrenia ou alguns transtornos de personalidade, tendem a ser crônicos, com períodos de maior ou menor estabilidade. Em todos os casos, porém, é possível buscar tratamento para ansiedade e depressão, tratamento para bipolaridade, tratamento para esquizofrenia e outros quadros, reduzindo bastante o sofrimento e aumentando a qualidade de vida.
O uso de remédio controlado vicia?
Alguns medicamentos, especialmente certos ansiolíticos, podem causar dependência se usados em doses altas, por período prolongado e sem acompanhamento. Por isso, a prescrição criteriosa, o acompanhamento com psiquiatra e a combinação com psicoterapia são tão importantes. Já antidepressivos, estabilizadores de humor e antipsicóticos não costumam causar dependência, embora possam ter efeitos colaterais que precisam ser monitorados.
Como ajudar um familiar que não aceita tratamento?
É comum que pessoas com transtornos mentais graves, esquizofrenia, transtorno bipolar, dependência química ou outros quadros tenham dificuldade de reconhecer a necessidade de ajuda. A família pode:
- Conversar em momentos de menos tensão, evitando acusações.
- Oferecer-se para acompanhar em consultas, ajudando com transporte e custos quando possível.
- Buscar informações em serviços como o Grupo Salvar Vidas, CAPS, unidades de saúde, grupos de apoio.
- Em situações de risco, buscar orientação médica e jurídica para medidas de proteção.
Transtorno bipolar é só mudança de humor?
Não. Embora mudança de humor faça parte do transtorno bipolar, o diagnóstico envolve episódios com características bem definidas de mania/hipomania e depressão. A simples “oscilação emocional” do dia a dia não é suficiente para caracterizar bipolaridade. Apenas avaliação psiquiátrica pode diferenciar transtorno bipolar de outros quadros, como transtorno de personalidade borderline, depressão, ciclotimia.
Esquizofrenia significa ter várias personalidades?
Essa é uma confusão comum. Esquizofrenia não é “múltiplas personalidades”. A principal característica da esquizofrenia são sintomas como delírios, alucinações, desorganização do pensamento e isolamento social. O quadro de “múltiplas personalidades” está mais relacionado ao transtorno dissociativo de identidade, que é diferente e bem mais raro.
Psicoterapia online funciona?
A psicoterapia online e o atendimento de psiquiatra online se tornaram opções importantes, especialmente após a pandemia. Quando realizados por profissionais habilitados, respeitando ética e sigilo, podem ser muito eficazes para tratamento de ansiedade, crise de pânico, depressão e outros transtornos. Alguns casos, porém, podem exigir avaliação presencial, especialmente em quadros graves ou quando há necessidade de exame físico.
Posso conciliar tratamento espiritual com tratamento em saúde mental?
Muitas pessoas encontram apoio em sua espiritualidade, fé e comunidades religiosas. Em geral, é possível conciliar práticas espirituais com psicoterapia, medicação e acompanhamento psiquiátrico. O importante é que nenhuma orientação incentive a suspensão de tratamento médico sem avaliação profissional ou estimule sentimentos de culpa e punição por estar doente.
Chamada final: cuidar da sua saúde mental é um ato de coragem
Se você chegou até aqui, provavelmente já enfrentou ou acompanha de perto crise de pânico, ansiedade intensa, depressão profunda, bipolaridade, esquizofrenia, TOC, TEPT ou outros transtornos mentais. Talvez esteja cansado de ouvir que é “frescura”, “falta de Deus” ou “falta de vergonha na cara”. Talvez já tenha tentado resolver tudo sozinho em silêncio.
A mensagem que o Grupo Salvar Vidas deseja deixar é simples e verdadeira: você não está sozinho e não precisa continuar sofrendo em segredo. Existem tratamentos em saúde mental baseados em evidências, há profissionais preparados, há clínicas, serviços públicos e redes de apoio que podem caminhar com você.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui uma consulta com psiquiatra, psicólogo ou equipe multiprofissional. Ele foi escrito para ser uma ponte: um primeiro passo para que você reconheça o que sente, dê nome às coisas e, principalmente, se permita buscar ajuda.
Checklist: três próximos passos que você pode dar
- Escolher um profissional ou serviço de saúde mental para entrar em contato nos próximos dias.
- Compartilhar com alguém de confiança como você realmente está se sentindo.
- Salvar em um lugar visível os contatos de emergência da sua cidade (SAMU 192, UPA, pronto-socorro, CVV 188).
Buscar ajuda em saúde mental agora acompanhamento sigiloso e responsável
Em qualquer sinal de risco imediato, procure um serviço de emergência da sua cidade (SAMU 192, UPA, pronto-socorro) e o CVV (188). Pedir socorro não é fraqueza: é prioridade de vida.
Buscas frequentes sobre saúde mental, psiquiatria, depressão, ansiedade, crise de pânico e outros transtornos mentais:
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